Pesquisadora da UFRJ e criadora da polilaminina ministra palestra em Macaé
8/11/20262 min read


Macaé recebe na próxima sexta-feira (14) a pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para a aula inaugural do segundo semestre letivo do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem/UFRJ). O encontro será realizado às 10h30, no auditório da unidade, localizada no bairro São José do Barreto.
Reconhecida por sua atuação no desenvolvimento da polilaminina, substância estudada como possível alternativa para estimular a regeneração de lesões na medula espinhal, Tatiana apresentará a palestra “Polilaminina: passado, presente e futuro”.
A polilaminina é uma forma polimerizada da laminina humana, proteína encontrada na matriz extracelular e importante para o desenvolvimento e a manutenção do sistema nervoso. A pesquisa busca utilizar a substância como uma espécie de suporte biológico para favorecer a formação de novas conexões entre células nervosas após uma lesão medular.
Pesquisa apresenta resultados iniciais
Os primeiros estudos realizados em seres humanos apresentaram resultados considerados promissores. Um trabalho publicado na revista científica Spinal Cord analisou oito pacientes com lesões agudas completas da medula espinhal. Segundo os pesquisadores, seis participantes apresentaram algum grau de melhora neurológica, com recuperação motora ou sensorial.
Apesar dos resultados iniciais, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos clínicos mais amplos e controlados para determinar a segurança e a eficácia da polilaminina no tratamento de lesões medulares.
Em 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a realização de um estudo clínico de fase 1, etapa destinada principalmente à avaliação da segurança da substância e ao monitoramento de possíveis efeitos adversos. Nas fases seguintes, caso os resultados sejam positivos, estudos com um número maior de participantes deverão avaliar a eficácia do tratamento.
As pesquisas indicam ainda que a aplicação da substância nas primeiras horas após a lesão pode ser mais favorável, especialmente antes da formação de uma cicatriz fibrosa que dificulta a regeneração das conexões nervosas.
Pesquisa busca ampliar possibilidades de tratamento
Tatiana Sampaio é chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/UFRJ). A pesquisadora possui mestrado e doutorado em Ciências pela UFRJ e realizou pós-doutorado na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e na Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha.
O trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisa também avançou para estudos relacionados a lesões medulares crônicas. Novas etapas de investigação clínica estão sendo estruturadas para avaliar o potencial da substância em diferentes condições.
A polilaminina é produzida a partir da união de moléculas de laminina, proteína que desempenha papel importante na organização do tecido nervoso. A proposta da pesquisa é que a substância funcione como um ambiente de suporte para o crescimento dos neurônios na região lesionada, favorecendo a formação de conexões que possam contribuir para a recuperação das funções comprometidas.
A palestra em Macaé será uma oportunidade para estudantes, pesquisadores e demais interessados conhecerem a trajetória da pesquisa, os resultados obtidos até o momento e os próximos passos no desenvolvimento da polilaminina.
